terça-feira, 15 de outubro de 2013

da urgência.........

Falava ontem com alguém sobre pão caseiro......
A conversa fez-me recuar até aos meus 8 anos e às férias passadas em casa da minha tia....
Chamavam-lhe de "casal"...era uma casa enorme, no meio de nada, sem electricidade, sem água corrente das torneiras, de casas de banho improvisadas, de candeeiros a petróleo, de fornos a lenha, de animais, de cheiros inconfundíveis como os da roupa lavada no rio....da fonte...das amoras comidas tiradas das silvas....
Eu, moça de cidade, naquela tenra idade, não valorizava nem metade.....
Mas recordo,
de ver a minha tia amassar o pão, tarefa dura e demorada, lembro-me de aguardarmos sentados naquela cozinha escura sem qualquer conforto, enquanto ela cantarolava.....
Aguardávamos impacientemente que a massa levedasse, ali naquele sitio onde as horas não eram horas, eram o nascer e o pôr do sol....
Lembro que apenas a luz do forno já quente e crepitante da lenha aguardava como nós....
Lembro do cheiro do pão a cozer...e nós ali, sentados, sem qualquer outra distracção....
apenas o desejo urgente de querer provar aquele pão, acabado de fazer, ainda a ferver...
Nada nos incomodava, nem os dedos queimados nem os avisos dela que nos iria fazer mal....queríamos era provar aquela maravilha....
Hoje, recordei todos aqueles cheiros, aqueles dias e noites no campo......
recordei que tínhamos apenas urgência em pequenas coisas....agora vejo-as assim...pequenas, mas maravilhosas.....
Hoje, sei-me menos paciente,
O ritmo louco em que vivemos faz-nos esquecer da virtude de esperar, até porque esperar não é perder tempo?? e teremos esse tempo para esperar??
Pois não sei....
Mas ali, onde todos os cheiros se misturavam, onde o galo cantava, os porcos chiavam, a burra zurrava....
Ali não havia pressa...
Ou seria eu?
Não sei ...

14 comentários:

  1. Curioso que também ontem, em casa da minha mãe falava do pão caseiro.
    De voltarmos a utilizar o forno lá de casa, pelo menos no Natal, de criarmos memórias para a minha sobrinha, como aquelas que eu guardo em casa da minha avó e tia.
    Recordo de estarmos à volta da amassadeira, com os nossos bracitos a dar-mos socos na massa, de fazemos os nossos "brendeiros", e de meter quase um pacote de manteiga no pão para derreter, e de minha avó brigar que era demasiada manteiga. Recordo-me de aproveitarmos o forno quente para cozermos o bolo preto, e o cheirinho que dominava a casa.
    Este ano, iremos criar memórias destas para a minha buzica que ainda não tem um ano, mas mais vale começarmos cedo, a treinar...

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    1. oh pah que me deixas com água na boca...catano...
      pão quente com manteiga a escorrer...jasuisssssssssss
      que crime
      sou uma pãozeira irrecuperável ;)

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    2. A infecção está controlada mas ainda não está curada, antibiótico até ao fim....era isto que querias saber??? loolll

      ( o resto....aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii ..... loollll.... pecadoooooo :)

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  2. Que lindooooo Amiga, obrigada pela viagem no tempo.
    Também eu guardo memórias similares...o tempo, o tempo esse bandido.
    Acho que estamos os dois diferentes...nós e o tempo.

    Jinhoooossssss

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    1. :) ainda bem que gostaste !!!
      Sim...acho que estamos ambos diferentes.....até o nascer e o por do sol ;)
      jinhussss amiga

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  3. Tás nas urgências a pensar em pão? Ó milher... pensa no dr bonzão, isso sim vale a pena.

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    1. aiiiiiiiiiiiiiiiii catano, tu nao me levas a sério mulher...
      ficas a saber que já lá fui....olha e o resto já sabes....
      tenho que me auto-infligir uma punição forte....que forte já é o pensamento pecaminoso que o home me deixa.... ;)

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  4. eram outros tempos...
    não havia telemoveis, PC's e o tempo era gerido doutra maneira...
    Em miudo tinha tempo para tudo ou quase, agora :|

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    1. Agora é sempre a correr Sr. Misha ;)
      Como diz o meu Mini...andas sempre a correr sempre à pressa sempre à pressa....
      até de ver um por do sol tenho saudades....
      Beijinhos

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  5. Ai, agora lembraste-me a minha infância, nasci e cresci no campo, numa pequena aldeia do alentejo, onde existia isso tudo de que falas e de onde recordo muitas mais coisas boas, cheiros e sabores naturais, simples,( como uma laranja acabada de colher, o pão quentinho com manteiga caseira, ou os ovos que tinham outro sabor, tanta coisa) e onde tal como aí não existia tempo, de vez em quando volto lá, para que o tempo que não tenho na cidade volte e para relembrar cheiros e sabores que ficarão para sempre na minha memória.


    bjs

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    1. Querida Maria,
      Há sensações e cheiros que nos ficam para sempre na memória....e ainda bem!!
      espero que cada vez que lá voltes...sintas um pouco disso ;)
      Beijinhos

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  6. Essas são memórias que muitos, por razões várias, não têm. Obrigado pela partilha, pela forma franca e indutora como nos contaste. Eu, por momentos, visitei esse lugar.
    Quanto à gestão de tempo, é uma questão que de lá para cá, veio mudando. Contudo, entre a movimentada cidade e a pacata vila, ainda se notam.
    Beijinhos

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    1. Que bom que conseguiste fazer esta pequena viagem com as minhas palavras.... não tenho jeito particular para escrever, mas sai assim umas coisas de vez em quando ( sem ser disparates ) ;)
      O tempo....esse não pára....e nós temos que seguir com ele, certo?
      Beijinhos Real

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